Guardian 21
está de olho
no que rola no globo!
Em missão especial, mandando notícias e comentários direto da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), em Johannesburgo.

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Sexta-feira, Julho 04, 2003
 


Untitled Document




Uau!

Depois de um looongo silêncio no hyperespaço, cá estou eu
de volta! A vida e a conexão de internet lá em casa estavam dificultando
a comunicação. Mas agora, com as férias chegando fica mais
fácil.

Logo hoje, dia 4 de julho, em que o patriotismo norte-amercicano está
em alta, comemoramos aqui o surgmento de uma mancha negra, ontem, no jornal
New York Times. A iniciativa é de uma organização super
interessante, o Adbursters Media Foundation
( algo como Detonadores da Mídia). Uma matéria sobre a iniciativa
dessa turma está no Novae, um
jornal virtual super interessante, feito com contribuições de
pessoas de diversos lugares. A idéia da mancha, que surgirá em
outros meios de comunicação e produtos, é criticar o consumismo,
o imperialismo selvagem do governo Bush e a mídia. É bom saber
que nossos irmãos do norte estão despertos e agindo.


O Adbusters trabalha bastante com a idéia do consumo consciente, ou
consumo sustentável, um tema que tem me interessado bastante. Grosso
modo,
consumo sustentável significa consumir somente o necessário,
para que a qualidade de vida das futuras gerações não seja
comprometida. No Brasil, o Instituto Akatu
desenvolve um trabalho bem legal nessa área. O Ministério
do Meio Ambiente tem um guia
sobre o assunto. Tornar-se um consumidor consciente é uma coisa complexa.
Para tanto, temos que examinar quais são nossas reais necessidades e
quais são incultidas pela mídia e pela sociedade. Também
significa saber de onde vem e para onde vai cada produto que passa por nossas
mãos. De certa forma, isto é percorrer o caminho inverso daqueles
que viveram a industrialização. Ou seja, conscientizar-se (ao
invés de alienar-se) do processo de produção. Além
disso, é necessário que o mercado ofereça produtos ecologicamente
corretos ( como papel reciclado,
algodão
orgânico
, eletrodomésticos com baixo consumo de energia etc).






 


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Uau!

Depois de um looongo silêncio no hyperespaço, cá estou eu
de volta! A vida e a conexão de internet lá em casa estavam dificultando
a comunicação. Mas agora, com as férias chegando fica mais
fácil.

Logo hoje, dia 4 de julho, em que o patriotismo norte-amercicano está
em alta, comemoramos aqui o surgmento de uma mancha negra, ontem, no jornal
New York Times. A iniciativa é de uma organização super
interessante, o Adbursters Media Foundation
( algo como Detonadores da Mídia). Uma matéria sobre a iniciativa
dessa turma está no Novae, um
jornal virtual super interessante, feito com contribuições de
pessoas de diversos lugares. A idéia da mancha, que surgirá em
outros meios de comunicação e produtos, é criticar o consumismo,
o imperialismo selvagem do governo Bush e a mídia. É bom saber
que nossos irmãos do norte estão despertos e agindo.


O Adbusters trabalha bastante com a idéia do consumo consciente, ou
consumo sustentável, um tema que tem me interessado bastante. Grosso
modo,
consumo sustentável significa consumir somente o necessário,
para que a qualidade de vida das futuras gerações não seja
comprometida. No Brasil, o Instituto Akatu
desenvolve um trabalho bem legal nessa área. O Ministério
do Meio Ambiente tem um guia
sobre o assunto. Tornar-se um consumidor consciente é uma coisa complexa.
Para tanto, temos que examinar quais são nossas reais necessidades e
quais são incultidas pela mídia e pela sociedade. Também
significa saber de onde vem e para onde vai cada produto que passa por nossas
mãos. De certa forma, isto é percorrer o caminho inverso daqueles
que viveram a industrialização. Ou seja, conscientizar-se (ao
invés de alienar-se) do processo de produção. Além
disso, é necessário que o mercado ofereça produtos ecologicamente
corretos ( como papel reciclado,
algodão
orgânico
, eletrodomésticos com baixo consumo de energia etc).






Terça-feira, Setembro 10, 2002
 
Depois deste longo silêncio, quero contar mais algumas coisas interessantes que captei lá na Rio+10:

Uma delas é a Iniciativa Latino Americana e Caribenha, que vinha sendo formulada desde maio de 2002, quando os ministros de meio ambiente da região se reuniram em São Paulo. Entre os pontos principais deste acordo está a meta de 10% de matriz energética renovável par cada país, o apoio ao acordo dos países mega-biodiversos (dos quais o Brasil faz parte), a ratificação do Protocolo de Kyoto, redução da pobreza, promoção do Princípio de Precaução, entre outros temas de relevância regional. Contudo, a maioria das metas são apenas qualitativas, ou seja, sem datas ou planos concretos de implementação.

Órgãos de financiamento internacionais, como o Banco Mundial, a CEPAL, o PNUMA, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, PNUD já comprometeram-se a apoiar.

Quem me deu estas notícias em primeira mão foi a Sra. Regina Gualda, da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ela, o nível de comprometimento dos países signatários é total.
Vamos fazer figa, pois, apesar da boa vontade de nossos representantes populares das causas ambientais, muitas vezes as resistências e dificuldades de implementação começam dentro do próprio governo. Enquanto ministros da fazenda e do meio ambiente não sentarem para planejar o desenvolvimento, a sustentabilidade continuará o plano ideológico.

Maiores informações sobre a ILAC


Quinta-feira, Setembro 05, 2002
 
Encerrada oficialmente ontem a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em 4 de setembro de 2002.O principal documento oficial, o Plano de Ação, deixou a desejar pela falta de comprometimento real e financeiro com metas concretas e prazos num esforço conjunto que garanta as sobrevivência da vida na Terra. (veja matéria do Jornal do Brasil)

"Fragiliza-se a ONU como espaço multilateral, potencialmente em abertura para a Sociedade Civil, em favor da Organização Mundial do Comércio, com regras fortes e sanções drásticas para aqueles que não seguirem a sua cartilha liberal de conduzir o mundo como uma mera feira de trocas."
Rubens Born - Instituo Vitae Civilis e representate do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais


 
O penúltimo dia da Cúpula da Terra , com a presença
dos chefes de estado, foi marcado pelas manifestações enérgicas
a posição política, ambiental e econômica dos EUA,
durante o pronunciamento de Colin Powell. (veja o matéria do Guardian)



12:21 AM -


 
Vôo de Volta
Apenas dois dias e meio, em 3 de setembro, depois de chegarmos à África do Sul embarcamos de volta para o Brasil. Durante o vôo de volta, eu, Poema e Ísis fomos recebidas pelo Presidente Fernando Henrique. Ele estava em sua área reservada do avião, na parte da frente, onde há uma mesa com lugar para 4 / 6 pessoas, saleta e cama. Também nos acompanhou o Assessor Especial da Presidência da República, Fábio Feldmann.

Entregamos ao presidente a Carta por uma Política de Juventude, que foi entrege no dia de hoje aos presidenciáveis Serra, Garotinho e aos vices de Lula e Serra; e a Carta jovem pela Amazônia. Também fizemos entrevista com FHC, em que o presidente avalia a Rio+10 e a participação do Brasil, fala do papel da juventude e de seus futuros planos. – em breve publicada aqui.

Pisamos em terra brasileira à noite, ainda meio confusas com a mudança de fusos. ( São cinco horas a mais na África do Sul). Aos poucos vou compreendendo e avaliando tudo que vimos e passamos, e repartindo e multiplicando. Entao fique ligad@...


Terça-feira, Setembro 03, 2002
 

Os chefes de estado tomaram o palco ontem, marcando o processo de encerramento da Cúpula, que termina oficialmente dia 04/09. Reunidos no plenário, no quinto andar do centro de conferência, proferiram discursos, que não terão impacto direto nos documentos finais da Rio+10, mas sinalizam a posição de cada país.

Esperava-se mais do discurso do Presidente Fernando Henrique (feito em inglês), que foi muito mais enérgico na Rio+10 Brasil, evento preparatório brasileiro realizado em junho de 2002 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. FHC falou da necessidade da adoção do princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas para cada país. Citou a ratificação do Protocolo de Quioto pelo Brasil e demandou aos demais países que façam o mesmo. Também falou do recém criado Parque Nacional do Tumucumaque. Nos bastidores, FHC tratou de evoluir o acordo com os alemães para financiar a produção nacional de veículos movidos a álcool com recursos ao abrigo do Protocolo de Quioto.

E falando em Protocolo de Quioto, a China anunciou a ratificação, enquanto que a Rússia ainda está na dúvida, mas deve confirmar a ratificação até o fim do ano. Em termos políticos, o dia ficou marcado mesmo pelo recado firme de Robert Mugabe (foto), de Zimbabwe, ao primeiro ministro britânico: "Blair, keep your England, and let me keep my Zimbabwe". Na Cúpula Mundial aprendemos que o diálogo ambiental abrange inúmeras outras perspectivas.

Tony Blair parece não ter agradado também a opinião pública inglesa ao sucumbir, juntamente com o resto da UE, diante da exótica aliança entre países árabes produtores de petróleo e George W. Bush, o mais presente entre os ausentes. Este "eixo da poluição" fechou questão para impedir o estabelecimento da meta de 10% de fontes de energia renováveis até 2010 (proposta brasileira), e de quebra ainda conseguiu incluir cláusulas promovendo a energia nuclear e os combustíveis fósseis - reconhecidamente a principal causa do aquecimento global - como fontes válidas de energia (veja mais sobre o assunto).



 

Só para lembrar: os dois objetivos principais de Joanesburgo 2002 (outro nome para a Cúpula Mundial), eram comparar e avaliar a situação ambiental desde a Rio92 até hoje e estabelecer metas quantitativas e prazos de implementação real da Agenda21 e demais documentos firmados na Rio92 e nos eventos sócio-ambientais das Nações Unidas que a sucederam.

No primeiro item, fica fácil responder: a situação ambiental planetária de 2002 está assustadoramente pior do que em 1992. Apesar disso, houve um grande crescimento em quantidade, organização e qualidade da sociedade civil organizada e de iniciativas governamentais isoladas. Contudo, estas ações governamentais e não-governamentais não foram capazes fazer frente à dobradinha exploração abusiva dos recursos naturais e da vida + crescimento da pobreza e acumulação de riquezas + fortalecimento de padrões de consumo insuportáveis para a vida planetária.

No segundo ítem, implementação, o que se vê até agora, quando praticamente estão finalizadas as negociações, é a falta de comprometimento real dos países para o estabelecimento destas metas. Os resultados concretos da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável serão documentos de dois tipos:

  • Tipo 1 - os Planos de Implementação e a Declaração Política.
    A Declaração Política que os chefes de Estado e de governo firmarão na quarta-feira na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável deve pedir o alívio da dívida externa dos países em desenvolvimento e o aumento da assistência financeira para os países pobres. A declaração, segundo esboço obtido pelo Estado, reconhecerá que os desequilíbrios e a má distribuição de renda, tanto entre países quanto dentro deles, estão no cerne do desenvolvimento insustentável. E admitirá que os objetivos estabelecidos na Rio-92 não foram alcançados.

  • Tipo 2 - as Parcerias fechadas durante a Cúpula, que receberão o carimbo na ONU.


Segunda-feira, Setembro 02, 2002
 

Convergindo para o documento final

A questão das energias renováveis é um dos únicos pontos onde ainda não se chegou a um acordo em Joburg. Durante a noite foram acordados compromissos nas questões de mudança do clima, comércio e saneamento, mas a proposta da UE de elevar as metas de uso de energia solar e eólica encontrou oposição dos EUA e de alguns países em desenvolvimento.

A posição do Protocolo de Quioto foi reforçada pela confirmação do ministro canadense Jean Chretien, de que o enviará ao parlamento para ratificação antes do final do ano. Agora, cabe à Russia decidir. Ao que parece, o resultado da cúpula irá marcar fortemente a oposição entre países que ratificam ou não o Protocolo.

Outros acordos, na área de comércio, conformam-se aos conceitos cunhados durante a reunião da OMC em Doha, indo um pouco além ao solicitarem reformas em subsídios que sejam ambientalmente danosos, como os da indústria pesqueira.

Veja o bom acompanhamento do Guardian sobre este momento da Cúpula.



 






Pisamos em Mama África!

Chegamos no aeroporto de Pretória pela manhã de domingo.

Fomos para o Centro de Convenções, onde está ocorrendo a Cúpula da Terra, o evento oficial com chefes de estado.

Em breve, mais novidade....




 

Entrevista aérea com Fernando Gabeira, deputado federal, integrante da delegação oficial brasileira para a Rio+10, que apontou três expectativas postivas para a Cúpula da Terra:


1 - Avanço no campo das Mudanças Climáticas. O Protocolo de Quioto, que regulamenta medidas para a redução do impacto das ações humanas sobre o clima, já foi ratificado pelo Brasil. Questionado sobre o recuo da Rússia na ratificação de Quioto, que cogitou-se anunciar em Joanesburgo, Gabeira afirmou que este atraso na posição russa será temporário, já que o país tem interesse em ingressar na União Européia, que está favorável a implementação do protocolo.


2 - Água. Está crescendo a consciência de que há uma crise mundial de escassez água. Brasil e Canadá são países com grandes reservas hídricas, que podem buscar entendimento e cooperação estratégica para mitigar esta crise global.Gabeira é relator da comissão que trata sobre a regulamentação do uso da água no Brasil. Considera que se a água é um bem comum, a cobrança por seu uso é justificável, já que os recursos arrecados serão destinados aos comitês de bacias hidrográficas, que aplicarão estes recursos em benefício de toda a comunidades, na forma de projetos de recuperação de mata ciliar, de mananciais, entre outros.


3 - Financiamento para o Desenvolvimento. Gabeira vê com otimismo as possibilidades de acordos norte-sul de financimento sustentável dos países em desenvolvimento.


Por sua vez estas três perspectivas se entrelaçam. Por exemplo, quando ratificado, o protocolo de Quioto implicará na implementação do MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) , que inclui o finaciamento a compensação dos países do sul por seus serviços ecológicos.


A Educação Ambiental é de grande importância, mas deve ser trabalhada de forma trasnversal, não só na escola, mas em todos os momentos da vida. Contudo, muitos daqueles que que deveriam educar, como os políticos, desedducam a população ao poluir visual e sonoramente as cidades em época de eleição. Para o deputado, a população deveria exercer pressão para que fosse proibida a publicidade eleitoral em locais públicos.


O Papel do Jovem é importante na garantia de um futuro sustentável, mas deve-se tomar cuidado para que não seja jogada sobre os ombros dos jovens toda a responsabilidade, eximindo todo o resto da população que também deve fazer integrar este esforço para a sobrevivência. Porém, é verdade que nós jovens devemos ser os principais interessados na garantia de padrões suetntáveis de desenvolvimento, já que "estatisticamente" viveremos mais tempo neste planeta.


Fernando Gabeira é um defensor declarado da legalização da cannabis, não só para usuários, como para fins industriais. Para ele, o cenário atual mostra avanços internacionais neste sentido, com a crescente abertura da União Européia. Inclusive, na Alemanha já estão em curso experiências de plantio para fins industriais do cânhamo, espécie que apresenta baixo teor de THC ( a substância psicoativa da maconha).


Inundações na Europa, nuvem de poluição na Ásia, aumento do nível do mar, seriam esses os sinais do Fim dos Tempos? Para Fernando Gabeira, a humanidade cresceu e alterou de tal maneira o ambiente terrestre que hoje em dia não há mais a natureza. Há uma segunda natureza, pois mesmo as chamadas matas virgens estão cerdadas por um ambiente alterado que modifica. É verdade que ainda não há dados científicos que possam interligar diretamente todos estes fenômenos ambientais bizarros, e neste ponto há muito ainda para avançar-se na pesquisa científica, mas é inegável o momento crítico pelo qual a humanidade passa, que exige atenção, cuidado e rápida ação coletiva para que não tenha resultados piores.



Domingo, Setembro 01, 2002
 

Gafe jovem numéro 1 do vôo presidencial:


- Boa noite, eu sou Ísis

- Eu sou Poema, e você?

- Eu sou Aécio Neves, presidente da Câmara dos Deputados.

(risos)...


Então Aécio, qual é a sua expectativa para a Rio+10?

Segundo ele, em primeiro lugar, o fato de trazer a atenção para as questões ambientais já é um ponto positivo. Contudo, no que toca os acordos formais, acredita que ficaremos aquém do que poderia ser alcançado, devido às diferenças de interesses entre países desenvolvidos e em desenvolvimento

Para o presidente da câmara, o Brasil vem tomando o papel de liderança entre os países em desenvolvimento..



 
Viaja para Joanesburgo a delegação oficial brasilera, liderada pelo próprio Presidente Fernado Henrique Cardoso. Dia 31 de agosto, às 21hs, decolamos da base aérea de Guarulhos. Vôo JJ 01.

Entre os demais integrantes da delegação estão o Presidente do Senado, Ramez Tebet e da Câmara Federal, Aécio Neves; o Ministro da Ciência e Tecologia, Ronaldo Sardenber; da Integração Nacional, José Luciano Barbisa da Silva; Senador Luis Otávio Oliveira Campos e o Deputado Federal Fernado Gabeira e o Dr. Paulo Nogueira Neto. També embarcaram embaixadores, esposas, militares, imprensa. Eu (Poema) e (Ísis) somos as únicas jovens da delegação, e duas das sete mulheres do vôo. (Eh mundo machista!).



Sábado, Agosto 31, 2002
 
Brasil fica bem na foto na Cúpula da Terra com alguns lançamentos recentes:
- Agenda 21: uma carta com propostas para o desenvolvimento sustentável do Brasil
- O Parque Nacional do Tumucumaque, que terá área maior do que a Bélgica, mas tem critérios de implementação geram polêmica